VÔMITO LITERÁRIO


21/08/2005


A rosa com cirrose

 

“Pensem nas crianças/Mudas telepáticas”. Começo o texto com uma frase da música de Vinícius de Morais (Rosa de Hiroshima) para relembrar os 60 anos do lançamento das bombas atômicas sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki. A música, tão apropriada para o momento, só não é bela pela mensagem que traz. As crianças mudas telepáticas e as mulheres cegas e inexatas são frutos da imbecilidade humana.

Em seis de agosto de 1945 abomba de urânio, batizada como "Little Boy" pesando aproximadamente 15 mil toneladas, foi despejada sobre a cidade de Hiroshima que fica na região sudoeste do Japão. Três dias depois, seria a vez de Nagasaki, situada ao oeste de Hiroshima, ser arrasada por outra bomba atômica, batizada de "Fat Boy". 377,437 mil pessoas morreram com os ataques radioativos. O responsável por tantas mortes é conhecido por nós: EUA. Os americanos consumiram seis anos e dois bilhões de dólares para produzir a arma mais destrutiva de toda a história da humanidade. Cinco meses depois do bombardeio, um trem especial conduz o tenente norte-americano Sussan através do território japonês, para registrar em filme os efeitos da explosão. O filme permaneceu secreto durante 13 anos. Quando afinal foi divulgado, os americanos ficaram chocados com o que viram e com as proporções da destruição que a bomba provocou. Admitiram, então, que não imaginavam que o resultado pudesse ser aquele.

“Pensem nas feridas/Como rosas cálidas”, Vinícius de Morais consegue ser sensível ao tentar nos trazer uma visão humanista dos acontecimentos. Ao mesmo tempo, a letra da música nos faz pensar. É recomendável a nós, “seres humanos”, refletir o que aconteceu nas cidades Japonesas em 1945. A vida das pessoas foi simplesmente apagada em uma demonstração grotesca e nojenta de superioridade bélica. Para ostentar a marca de um país que se arroga dono do mundo, os EUA é capaz de matar, ludibriar e esmagar quem se atravessar em seu caminho. Por mais que tentemos entender o que aconteceu naquela época é impossível aceitar que aconteceu. Naquele ano, a maioria dos japoneses estava em combate, morreram com a bamba, apenas crianças e mulheres.

Com a justificativa de purificar e salvar o mundo de suas mazelas, os Ianques, cometeram o maior atestado de preconceito e desumanidade já visto em toda a história da humanidade. E o pior é que os paladinos da justiça continuam massacrando o mundo oriental e também o ocidental com bombas mortais (sansões e imposições econômico/financeiras) que se não possuem a capacidade de destruição da bomba atômica, ainda assim matam muitas pessoas.

Escrito por Vomitados da Literatura às 14h07
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19/06/2005


A vida: vivida. Hein?!

            Os primeiros acordes da música soaram no teatro, junto com eles, as primeiras lágrimas começaram a cair. Logo em seguida, as cortinas foram abertas e o pranto se intensificou. No palco as luzes focaram o rosto, as mãos, a boca e o violão, já na platéia, um ser via tudo com os olhos molhados e o coração batendo violentamente.

“Troco teu leite mel./ Por meu suor e algumas ruas./ Me ajudas a sonhar./ Te salvo de dragões./” A música era como um novo começo, uma nova ordem. Os versos soavam como ponteiros, às vezes suaves, às vezes profundos, às vezes feroz, tristes e alegres, do imenso relógio de sol que Nei Lisboa criou ao redor de sua carreira como cantor e compositor.

Caxiense, esse Nei que, “sábado sim, sábado não, vira bicho”, consegue mergulhar e  transbordar os mais puros e impuros sentimentos humanos. Esse Nei é revolucionário, esquerdista, comunista, e, ao mesmo tempo, anda “por aí”, salvando a humanidade.

O Nei questionador, nasceu de uma família pobre e rodou pelo mundo atrás de alguém que dissesse a ele o que fazer e queria vencer um inimigo invisível que mais tarde descobriu, na frente do espelho, que era ele mesmo. O Nei que até confessou dizer tantas bobagens que encheu um caminhão e que as verdadeiras pessoas de sua vida cabiam na palma da mão, mas, esse Nei, também é romântico e guardou um universo para uma pessoa especial. O Nei brincou e contou histórias, inventou uma “Fábula” na qual dizia que o verdadeiro amor, não escolhe bocas e caras, olhos azuis ou verdes, mas que só o jeito de ser é o que realmente importa. Esse Nei, pretendeu viajar a Calcutá, se casar e assim um bom verão passar, um bom tempo para descansar, pois já havia peregrinado de “Pirapora a Bagdá” em “Dirás, Dirás.

O Nei de vinte anos atrás já sentenciava que a “Palavra pela palavra, não concerta, disserta”, dizia ainda que a palavra não acertava o ponto e não apontava o erro, mas encerrava o caso. Muitas vezes, há vinte anos, Nei sentiu medo, raiva e fome da palavra, mas sempre achava um jeito de escapar e por muitas vezes até se fingia de morto até que uma “alma-irmã” viesse lhe salvar.

Solto, louco, embarcou em uma viajem sem fim. Não andou do lado da lei, rasgou normas, inventou a música. Não quis saber da hora, jogou tudo para o alto, tentou um “Teletrasporte”, foi no fundo. Esse Nei segue viajando em um cosmos que segundo ele não precisa de gasolina.

Escrito por Vomitados da Literatura às 19h34
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12/06/2005


 

TVE-RS Pede Socorro

 

A TVE-RS foi inaugurada em 28 de março de 1974, com a função de priorizar as questões regionais e produzir elementos de reflexão sobre a cidadania. Conforme o site da televisão: “a linha de programação busca fornecer complementos suficientes à constituição de uma melhor consciência política da sociedade, lutando contra qualquer tipo de alienação”.

Entretanto, o Sindicato dos jornalistas profissionais do RS, traz em seu boletim informativo do dia 19 de maio de 2005 a situação caótica e desesperadora que a TV Educativa do RS está vivendo. Situação essa que a impede de seguir os seus preceitos de formadora de opinião tanto política quanto culturalmente.

É de suma importância ressaltar que sendo uma televisão pública e educativa, sem fins lucrativos e isenta de qualquer financiamento privado, a emissora – que faz parte da Fundação Cultural Piratini – está submetida somente ao interesse público, ou seja, do Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

O que parece dificultoso é descobrir qual é o real interesse da gestão PMDB com relação à emissora. Seria o de empurrá-la precipício abaixo? Ou o de simplesmente fechar as portas?   O boletim do Sindicato dos Jornalistas Gaúchos relata uma realidade estarrecedora – que possivelmente poucos conheçam – das condições em que a TVE se encontra. Segundo o informativo o estágio pré-falimetar da emissora se dá devido à corrosão rápida das condições materiais e humanas. Câmeras estragadas por falta de manutenção; reportagens perdidas porque as câmeras não gravam; falta de fitas para gravação; trechos de fitas apagados para novas gravações, também devido à falta delas, ilhas de edição com defeito que estragam o produto depois de acabado; carros sem manutenção, inclusive sendo empurrados pelas ruas por equipes de reportagem. Essas são algumas das táticas do governo estadual para acabar com a televisão, sem contar que existe uma eminente desvalorização dos servidores que há três anos estão sem aumento salarial, até mesmo sendo demitidos sem o recebimento de seus direitos e constantemente substituídos por CCs que ocupam funções que exigem concurso público.

 A TVE-RS é um patrimônio do estado que merece atenção e valorização dos seus gestores. É necessário, portanto, que o governo do estado assuma suas responsabilidades, não as transferindo para a esfera nacional, como é de praxe na gestão atual. Riggoto tem o dever parar com essa destruição, dando condições para que a emissora possa cumprir com as suas finalidades, produzindo programas de qualidade, exaltando com isso a cultura gaúcha e possibilitando aos telespectadores a reflexão não só sobre cidadania, como também sobre política, economia e outros. Do contrário continuaremos assistindo uma programação defasada, sem qualquer propósito, enquanto esperamos pela decretação da sua falência.  

 

Escrito por Vomitados da Literatura às 15h33
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